
domingo, 13 de julho de 2014
Fucked

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terça-feira, 8 de julho de 2014
O sonho acabou

E doeu.
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segunda-feira, 7 de julho de 2014
Robocop de José Padilha - Crítica
Está certo que todo
mundo gostou da escalação de José Padilha, nosso ilustre diretor que lançou ao
mundo Tropa de Elite e sua sequencia igualmente ótima, para ocupar a cadeira de
direção do novo filme do policial ciborgue criado pelo holandês Paul Verhoeven,
e mais, trabalhando com sua própria equipe de filmagem. Antes disso, todo mundo
gostou de o policial do futuro dar as caras novamente no cinema depois de 20
anos, e o momento não poderia ser mais oportuno que o atual, onde personagens
de filmes antigos estão conquistando seu merecido revival. Não se trata de uma
sequencia, nem poderia se tratar, afinal, muito tempo passou e as
características transumanistas de Alex Murphy estão pra lá de datas, a
biotecnologia (e os espectadores mesmo) clamariam por intervenções mais
elaboradas. Este novo Alex Murphy é mais bem adaptado para sua realidade policial,
começando pela cor preta da armadura, brilhantemente sugerida por um dos
personagens, mas lembrando com carinho das características de seu antecessor,
como a primeira aparição do agora Murphy híbrido de homem e máquina. O som
mecânico dos passos pontuados permanece, assim como a música tema, elementos
postos cuidadosamente para aproximar o melhor possível o novo conceito ao
clássico personagem, preocupados em lembrar o espectador que aquilo ali que se
passa na tela não é outro filme de ficção científica, e sim uma reinterpretação
do agente policial cibernético atuando numa distópica Detroit. Mas são apenas
essas as coisas do tipo, de fato a história se afasta bastante do aspecto
original. O novato Alex Murphy inseguro e preocupado em seguir à risca as leis
sai de cena dando lugar a um mais tempestuoso, preocupado em pôr as mãos no
culpado pela emboscada que sofrera junto a um parceiro culpando sua organização
e desejoso por justiça, nem que para isso precise atuar sozinho. A greve e as
críticas ao sistema policial, tão fortemente discutidas no filme de 87, não
fazem parte do universo deste novo Robocop, e os divertidos filmes
publicitários da OCP perdem espaço, porém, há uma substituição que caiu como
uma luva para preencher espaços importantes, como o âncora de televisão Pat
Novak, personagem de Samuel L. Jackson, apresentador fervoroso em sua aposta de
que seres infalíveis desprovidos de sentimentos humanos sejam a solução para
combater a criminalidade cada vez mais crescente, personagem que, aliás, não é
muito diferente do personagem de André Mattos em Tropa de Elite 2. Mais
visceral e menos poético, essa nova versão é bem capaz de enjoar espectadores
sensíveis, expondo o que de mais grotesco e realista existe nesta concepção
entre humanos e máquinas, a questão ética é amplamente abordada, e é claro, os
opositores, mesmo os dentro do esquema, não ficam passivos. É interessante
acompanhar o treinamento do oficial militar Maddox (Jackie Earle Haley), contra
o projeto desde o início, despejando seu descontentamento sobre o híbrido que
Murphy se transformou. O novo Robocop é mais humano, com mais noção de
civilidade, por conseguinte não perdeu sua família como na clássica versão,
podendo contar com a presença ativa da esposa desde antes de se tornar o
policial de aço. Clara Murphy (Abbie Cornish) sem dúvida tem uma participação
importante, compete justamente com o protagonista o papel de heroína do longa.
Se em sua versão original o herói contava com a estimada parceria de Anne Lewis
(Nancy Allen), desta vez seu cônjuge é seu braço direito, pondo em prova que
não é preciso preparo físico e empunhar pistolas para fazer diferença na vida
de um herói. No entanto, este novo filme do policial de aço funciona mais como
um bom entretenimento de ficção científica que pega emprestado um grande nome
do que um filme policial inovador, cujo personagem principal não consegue
causar mais tanto frisson como vinte anos atrás. O resultado de sua
ressurreição não ficou tão diferente do que fizeram com Dredd (Pete Travis,
2012), refilmagem do brilhante filme estrelado por Stallone em 95, se for fazer
comparação. O que não podiam deixar de fazer, evidente, era encher a película
de efeitos especiais, não necessariamente com sangues e tripas para atingir uma
audiência mais ampla, e isso o novo Robocop tem de sobra. Os novos equipamentos
do robô da lei não ficam devendo nada aos gadgets
de personagens estilo Homem de Ferro, o que nos faz pensar que a versão anterior
era, muito além do quesito temporalidade, bem mais realista. Em determinado
momento a ameaça singular do robô ED-209, que ficamos tão contentes em saber
que o reveríamos numa versão modernizada, deixa de ser importante frente a um
bombardeio de gadgets deslumbrantes e
efeitos visuais que não tínhamos na época do último Robocop, só que quando o
filme acaba temos a sensação que, se o policial do futuro estava devendo alguma
coisa, agora já não deve mais. Difícil imaginar o que o herói teria a oferecer
para uma continuação, e digo mais, os melhores filmes de ficção científica
continuam sendo os antigos. Mas não podemos deixar de contar como ponto
positivo a citação ao universo O Mágico de Oz com a mesma profundidade que
outra citação feita em outro filme de ficção científica, O Homem Bicentenário,
adaptação de um romance de Isaac Asimov. E é apenas essa colcha de retalhos de
componentes do universo ficcional de linguagem popular, somada a deliciosa
alfinetada ao conceito de supremacia norte-americano bem colocada no final que
consegue elevar o filme a uma posição de respeito.
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sábado, 5 de julho de 2014
Zuñiga break Neymar
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Transhumanist Furniture
Tutorial de como fazer um ‘’personal robô” que pode deixar o Homem Bicentenário despeitado.
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quarta-feira, 28 de maio de 2014
Queremos Especial da Copa 2014 com Pelezinho


Maurício de Souza está em falta grave. Não bastasse bizarrices como, a mais recente, Chico Bento jovem, ainda não lançou o Especial da Copa 2014 com o personagem Pelezinho e sua turma, um prodígio ressuscitado que podia ter sua nem tão recente volta aproveitada num gibi em homenagem a primeira Copa realizada no Brasil, dividindo espaço com o simpático mascote tatu bola Fuleco. Mesmo que o Brasil não leve o hexa, mesmo que sejamos todos contra a Copa em nosso território e todo esse blá blá blá, mas puxa, vão desperdiçar a chance de bolarmos um lançamento caça-níquel com esse personagem que tem bastantes fans, incluindo esse que vos escreve? (para saber o quanto esse personagem cativou minha infância é só clicar aqui) Ora, se até na Copa de 90 teve um especial do Pelezinho. A não ser que, tal como o exemplo citado, os editores achem que não valha a pena investir no sonho torcedor na conquista de um novo titulo só para ver todos frustrados em seguida. Mas o que importa mesmo é dinheiro no bolso, mesmo assim, seria o momento adequado para um lançamento às bancas de uma ode ao evento tão desprestigiado pelos pais dos leitores?
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Medo de Robôs
Complexo de Frankenstein
A cada dia novos aparatos eletroeletrônicos/ mecânicos vão surgindo ocupando espaço no globo terrestre, forçando o convívio entre humanos e máquinas. Esse processo de evolução é vantajoso, pois a mão de obra humana mostra-se muitas vezes falha e dispendiosa, e uma bem elaborada intervenção automatizada, de fácil reposição e sem necessidade de descanso, seria muito mais que bem vinda. Acontece que, se antes essa forma condicionada de trabalho era sujeitada a princípios humanos, hoje a tecnologia pode ser encarada quase como dissociada de nossos limites sensoriais, ou seja, antes precisávamos de ´´músculos``, agora vivemos carentes de cérebros mais potentes e sentidos que superam nossas capacidades. Por mais que o homem, e isto é fato, se valha de intervenções protéticas em seu próprio corpo com o passar dos anos, algumas peças espantosamente superando seu caráter original, o que nos faz tornar, mesmo que em pequenas parcelas, seres híbridos de humanos com máquinas, é da artificialidade completa e bem definida que nos faz, racionalmente ou não, temer por nosso espaço na Terra. Uma máquina em si não é totalmente infalível, mesmo assim supera muitos aspectos humanos, desde que assim estabelecida de acordo com nossa própria vontade. Mas não é desse tipo de material que vem nossos medos. Imagine uma máquina, não necessariamente de forma humanizada, agraciada com o que seria um cérebro de inteligência igual a de um ser humano comum, com a vantagem de não padecer de fadiga e aproveitamento 24 horas por dia de sua capacidade neural? E se, dotada de personalidade, não precisar ser tão subordinada ao homem a ponto de tomar suas decisões pessoais? Desde sempre competitivos entre si, o ser humano dessa vez teria uma concorrência covardemente desleal. Para esse tipo de ser a lei seria inoperante, sendo que, dotados de capacidades especiais, não seria fácil dominá-lo, a não ser que com um critério bem planejado, esse novo ser fosse fabricado com suas peculiares limitações. Ainda assim a ´´Inteligência Artificial`` é algo preocupante, só de tentar imaginar o que poderia ser criado por eles mesmos para burlar suas deficiências técnicas e consequentemente as defesas naturais do ser humano. O ``Além-Homem`` muito provavelmente não se daria bem com o gênero humano e sua forma de vida primitiva, ainda que seu criador. Ainda bem que a concepção desse tipo de inteligência é algo difícil de imaginar. Deixemos que os próprios humanos exterminem a si próprios.

A cada dia novos aparatos eletroeletrônicos/ mecânicos vão surgindo ocupando espaço no globo terrestre, forçando o convívio entre humanos e máquinas. Esse processo de evolução é vantajoso, pois a mão de obra humana mostra-se muitas vezes falha e dispendiosa, e uma bem elaborada intervenção automatizada, de fácil reposição e sem necessidade de descanso, seria muito mais que bem vinda. Acontece que, se antes essa forma condicionada de trabalho era sujeitada a princípios humanos, hoje a tecnologia pode ser encarada quase como dissociada de nossos limites sensoriais, ou seja, antes precisávamos de ´´músculos``, agora vivemos carentes de cérebros mais potentes e sentidos que superam nossas capacidades. Por mais que o homem, e isto é fato, se valha de intervenções protéticas em seu próprio corpo com o passar dos anos, algumas peças espantosamente superando seu caráter original, o que nos faz tornar, mesmo que em pequenas parcelas, seres híbridos de humanos com máquinas, é da artificialidade completa e bem definida que nos faz, racionalmente ou não, temer por nosso espaço na Terra. Uma máquina em si não é totalmente infalível, mesmo assim supera muitos aspectos humanos, desde que assim estabelecida de acordo com nossa própria vontade. Mas não é desse tipo de material que vem nossos medos. Imagine uma máquina, não necessariamente de forma humanizada, agraciada com o que seria um cérebro de inteligência igual a de um ser humano comum, com a vantagem de não padecer de fadiga e aproveitamento 24 horas por dia de sua capacidade neural? E se, dotada de personalidade, não precisar ser tão subordinada ao homem a ponto de tomar suas decisões pessoais? Desde sempre competitivos entre si, o ser humano dessa vez teria uma concorrência covardemente desleal. Para esse tipo de ser a lei seria inoperante, sendo que, dotados de capacidades especiais, não seria fácil dominá-lo, a não ser que com um critério bem planejado, esse novo ser fosse fabricado com suas peculiares limitações. Ainda assim a ´´Inteligência Artificial`` é algo preocupante, só de tentar imaginar o que poderia ser criado por eles mesmos para burlar suas deficiências técnicas e consequentemente as defesas naturais do ser humano. O ``Além-Homem`` muito provavelmente não se daria bem com o gênero humano e sua forma de vida primitiva, ainda que seu criador. Ainda bem que a concepção desse tipo de inteligência é algo difícil de imaginar. Deixemos que os próprios humanos exterminem a si próprios.

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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Jogos bons para S-Nes : BlackThorne
Por mais que os games se modernizem (e diminuam de tamanho) nenhum deles consegue superar o todo bom e respeitoso Super Nintendo, quem viveu sua magnífica era sabe o que estou dizendo. Entre seus últimos clássicos lançados na época em que gráficos bons e divertida jogabilidade conseguiam não nos deixar desejosos por efeitos tridimensionais, ao lado de hits como a série Donkey Kong marcava presença Blackthorne, da Blizzard, bem menos conhecido, mas tão bom quanto. Blackthorne era uma espécie de Rambo que figurava um jogo side scrolling de atmosfera sombria num cenário apocalíptico, com criaturas horripilantes espalhadas em um labirinto que reunia, entre outras coisas, reféns, passagens secretas e itens necessários para se completar a missão, bem ao estilo RPG. Apesar de não haver outras mídias além dos jogos eletrônicos (também foi lançado para GameBoy Advance, computador e Sega 32X) a mitologia em torno de Blackthorne é uma história longa e elaborada, tipo um filme mesmo, e se na própria embalagem do game continha informações que o engrandecia pela sua aproximação ao universo cinematográfico, as próprias cenas narrativas entre a apresentação, um estágio e outro até o final, recurso já utilizado em jogos significantes como Ninja Gaiden, é uma primorosa composição, seja a própria história, o gráfico ou a trilha sonora, enfim, tudo que contribua para a sensação de estarmos vivenciando uma dramaturgia digna de Oscar, incluindo a própria jogatina e a direção de arte do jogo, deixa Altered Best no chinelo. O primeiro nome do personagem Blackthorne é Kyle, e a história de fato renderia um bom romance, misturando elementos ficcionais de mitologias tipicas de histórias da terra média com temáticas futuristas, fazendo lembrar filmes como Krull, Conan - o Bárbaro, Mad Max e animações como He-Man, para quem se interessar em conhece-la é só visitar a Wikipedia do game clicando aqui.
E quanto ao jogo? Para alguns gamers que costumam pular as telas de narração, a jogabilidade é o mais importante, e nisso Blackthorne também não decepciona. Kyle não é o personagem mais veloz dos games, mas pode correr sempre que necessário e pular de uma plataforma à outra em um grande salto, se pendurando com maestria escalando assim obstáculos, o que faz o jogo ficar bem parecido com Prince of Pérsia, além de rolar pelo chão e até atirar de costas. A munição de sua artilharia é ilimitada e volta e meia é possível adquirir explosivos como granadas e bombas teleguiadas cujo player pode ajustá-la onde desejar, a detonando com o toque de um botão. A consequência em algumas vezes é desastrosa até para o próprio Kyle. Entre os itens especiais se encontra um levitador de visual belíssimo e poções de efeitos vitalizadores oferecidas por rebeldes prisioneiros escravizados na terra de Thalos, e falando nisso Kyle pode encontrar um monte deles acorrentados em cada parte, sendo possível até eliminá-los, mesmo quando os coitados fazem favor de auxiliá-lo em sua missão, mas aí você passa de herói para inescrupuloso, a nãos ser que seja do tipo pessimista que acredita que a morte é a melhor cura para o sofrimento. Mas nem todos os rebelados contra o domínio e tirania de Sarlac, o imperador do mal, são cordeirinhos indefesos. Alguns, como o próprio Kyle, saem de pistola em punho à caça de orcs armados, embora alguns humanos covardes traiam sua raça e unam forças ao império de Sarlac, mas não se eximem de encarar nosso protagonista badass. Em ritmo humano e realista esse Rambo Sci-Fi troca chumbo com os inimigos em um sistema de combate singular, ficando fora da reta distanciando-se para trás cada vez que uma saraivada de balas tenta atingi-lo, retomando sua posição na sua vez de contra atacar, aproveitando o espaço de tempo em que deixa de ser a caça para se tornar caçador. Mas alguns orcs não se deixam abater com poucas balas e a operação precisa ser repetida, e às vezes os minutos decorridos podem incomodar e atrapalhar pela afobação. Só avisando, os orcs costumam rir da sua cara quando conseguem atingi-lo, aproveite para faze-los engolir seu escárnio. Você vai encontrar também monstros que irão prová-lo que tamanho só serve para assustar, que usam chicotes em vez de armas de fogo, a maioria de visual caprichado, e Sarlac, embora não sendo o último chefe mais difícil do mundo, é um puta pé no saco. Tudo que é arma que você possa imaginar ele tem. Quem sabe agora, que os consoles tornarem-se emuladores e os passwords deram lugar aos eficientes saves, a experiência de detoná-lo de repente não parece mais tão trabalhosa. Só que não se pode atentar apenas aos inimigos quando tratamos de um jogo tão complicado. Os estágios, os perigos, os labirintos em que nosso herói se mete não é para se atravessar num piscar de olhos. Os belos cenários guardam mil e uma armadilhas, tem vezes que você simplesmente se perde numa fase a ponto de querer desistir, mas a experiência sensorial pela qual você é contagiado fazendo-o se sentir imerso em um filme distópico como um protagonista-chave para a salvação da humanidade não deixa. Algumas nuances o aproximam de Street Fighter 2010 para Nintendinho (lembra desse, retrogamer?), pena que lançado numa época em que os jogos de CD estavam em vias de se tornar a mídia definitiva, tornando-se assim um dos últimos lançamentos de S-Nes.
Simplesmente não consigo encontrar defeito neste jogo. As únicas coisas que não deixo passar em branco, a nível de curiosidade e não de crítica, é quando Kyle toma impulso para saltar sobre uma mina rastejante de médio porte quando poderia simplesmente passar por cima, o fato de não poder esmurrar seus inimigos, sendo por completo dependente de sua artilharia e a ausência de banhos de sangue que um game do gênero poderia permitir, mas no geral já é um jogo bastante violento, inclusive o cartucho teve uma ou outra coisa censurada, mas nada disso influencia a admiração que tenho por esse incrível jogo, por mais que a mitologia acerca de sua história se sustente por um único volume apenas. Talvez seja esse mesmo seu grande mérito.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Frozen - Crítica
Duas novas personagens
chegam para engordar o império Disney Princesas, em um território onde pouco
antes era dominado quase exclusivamente por personagens masculinos. A Pixar costumava
segmentar seus produtos para o público de garotos até o surgimento de Enrolados
(2011, Byron Howard e Nathan Greno) e Valente (2012, Mark Andrews e Brenda
Chapman), onde as princesas outrora indefesas e à espera do príncipe encantado
ganham novo fôlego para se tornarem figuras ativas e quase independentes. É
mais ou menos assim que funciona com Anna, sujeita a protagonista da trama
glacial Disney/ Pixar dirigida por Jennifer Lee, roteirista de Detona Ralph
(2012), curiosamente a primeira mulher a dirigir uma animação Disney,
juntamente com Chris Buck, diretor e roteirista de clássicos como Tarzan e
Pocahontas, moça animada e desastrada que sofre com o ingrato distanciamento de
Elsa, sua irmã mais velha, que mais tarde se tornaria a Rainha da Neve do reino
de Arendelle, e afeita a encontrar seu príncipe encantado, nem que fosse o
primeiro que aparecesse. Moldado aos gostos femininos, o filme é belíssimo
visualmente e repleto de mensagens atuais, não cabendo mais a superficialidade
dos filmes Disney de antigamente. Mas os tradicionais ingredientes que não
podem jamais envelhecer estão ali presentes, o príncipe (que de príncipe não
tem nada), dessa vez bem menos infalível, marca território para arrebatar o
coração de Anna, o rústico morador das montanhas Kristoff, rapaz simpático que
recolhe gelo e vende para a região, sempre acompanhado de sua mascote Sven, uma
rena que ele consegue compreender muito bem, além de companheira de aventuras
com quem sempre está disposto a dividir umas cenouras, os vilões, que mais uma
vez quebrando paradigmas o longa mostra que nem tudo é o que parece ser, e
tipos curiosos e divertidos como os trolls, amiguinhos de pedra conselheiros de
Kristoff, que pouco se sabe de suas origens e sua consequente forte ligação com
o personagem, o que pode tornar suas participações deficientes, mas nada que
ofenda a integridade da narrativa de um bom filme infantil. Mais importante que
Anna talvez seja mesmo Elsa, a responsável pela história que o filme tem a
oferecer, já que por causa dela o reino de Arendelle se tornou um maciço
território glacial, e nem por isso ela é pior que as bruxas malvadas ou as
madrastas, pois tudo tem uma explicação mais simples do que pode parecer. Mesmo
assim, ela é a responsável por inconvenientes e criaturas maléficas como seu
guarda-costas Marshmallow, um boneco de neve colossal que dá muito trabalho
para Anna e seus novos amigos, enquanto ela só queria trazer sua irmã de volta ao
seu lado e ao reinado de sua terra natal, mas a maior obra de Elsa sem dúvida,
ao menos para mim, foi o simpaticíssimo boneco de neve Olaf, candidato ao
melhor alívio cômico do filme, e bem elaborado também, inclusive, por se tratar
de um filme musical como um genuíno filme Disney, protagoniza sua própria
canção, No Verão, quando o boneco que sempre gostou de abraços quentinhos
fantasia encantado com o dia em que vivenciará seu primeiro verão, que compensa
nossos ouvidos por ouvirmos ad nauseam a irritante Por Uma Vez na Eternidade. Para
quem assistir ao filme esperando ver o bonequinho em ação deve estar preparado
para enfrentar uma decepção, o autômato está longe de ser um dos principais, ao
contrário do que o merchandising do filme
poderia sugerir, e justamente essa é uma das principais reclamações do longa.
Bom, talvez ele fosse se o filme, mais uma vez, fosse pensado no público
masculino. Ainda assim acho que ele merecia mais espaço, pois rouba mais
atenção do que as duas princesas principais, o comparo assim com os Minions da
franquia Meu Malvado Favorito, quem sabe no próximo Frozen Olaf tenha uma
participação maior.
Apesar de tudo, Frozen
não tem aquele romance rasgado, fica até mesmo devendo o tão clichezado beijo
que salvará a princesa de uma terrível danação. Há a substituição do velho pelo
novo, pelo que é mais importante, e valoriza, além do amor entre namorados, o
amor entre os entes queridos. Sem contar a lição que fica, não devemos confiar
em quem pouco conhecemos e precisamos ouvir os mais velhos, embora princesas
anteriores tenham feito fama fazendo o contrário, mas enfim, os tempos são
outros.
É
Hora de Viajar
Para abrir o longa nada
melhor do que assistirmos um especial curta do Mickey e sua turma como bônus. É
Hora de Viajar cumpre a missão de comemorar os 85 anos do camundongo mais
famoso do mundo. Dirigido por Lauren MacMullan (olha outra mulher dirigindo
animação Disney) combina a velha animação quadro a quadro, com os personagens
ainda em seus primórdios em traços originais, com efeitos contemporâneos 3D,
sendo que na versão original o espectador é agraciado com a voz do próprio Walt
Disney. Apesar de bem curtinho, é de fazer emocionar qualquer fan do universo
Disney.
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Uma vez na eternidade
sexta-feira, 28 de março de 2014
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