sábado, 16 de fevereiro de 2013

Indulto de Natal


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Indulto de Natal


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Revista Herói - A Heroína de seu tempo


















Numa era pré-internética pintava nas bancas a primeira edição de uma revista que revolucionaria o universo dos aficcionados por animação, cinema, quadrinhos e cultura pop em geral, a Herói, que trazia na capa o Seiya prometendo uma matéria sobre a animação do momento, já tendo em vista explorar em todos os aspectos aquilo que mais estava em evidência na mídia de produtos infanto juvenis. Assim que bati o olho na revista comprei na hora. O ano era 1994. Descobri que além da matéria sobre Os Cavaleiros do Zodíaco, que afinal de contas não dizia nada de novidade, tinha também matéria sobre outros heróis do Japão como kaku Ranger, além de Spawn, Batman e Wolverine, a deste último também não contava nada que qualquer nerd não já soubesse, mas como na época as pessoas eram carentes de informações de nossos heróis favoridos a empreitada foi muito bem recebida, mesmo que em formatinho e de poucas páginas. Logo depois chegaram às bancas as próximas edições, e uma sucedendo a outra num ritmo bem rápido que até assustava, visto que o público alvo era as crianças, que teriam dificuldade em juntar trocados para tanta revista em tão pouco tempo, chegava a parecer que a revista não tinha periodicidade até ser anunciado que a danada era semanal, e claro que as primeiras deviam ter tido problema de distribuição até mesmo por se tratar de uma novidade que carecia de um tempinho de experiência. Custou 1,95 por toda sua vida útil, e nisso ela tem mais um ponto positivo, afinal é uma das poucas revistas brasileiras que não sofreram com o vilão da inflação. Apesar de falar de tudo um pouco em matéria de entretenimento e personagens, a revista tinha um ponto negativo, a devoção ao anime Cavaleiros do Zodíaco, chupando todo o sulco do universo criado por Masami Kuromada até a última gota. Tudo bem que era o carro chefe da publicação, atraindo mais e mais leirores para a revista, mas quem não era fan era obrigado a dividir as páginas da querida publicação em cerca de 75 % Cavaleiros e o restante de outras matérias.

A partir do número 24 a revista passou a se chamar Herói Gold e ganhou algumas páginas a mais, mas continuava falando sobre Os Cavaleiros no maior spoiller descarado, contanto toda a saga em mínimos detalhes, até, se não me engano, a edição 54. Mas até aí tudo bem, a revista conquistou novos leitores, manteve os antigos, e até a galera mais velha, sabendo que o que a revista falava não era coisa exclusiva de moleque, aprendeu a amá-la. A Herói equivaleria hoje a uma revista Crash, só que com a vantagem de não ter Internet para atrapalhar as vendas, e no geral, o custo da revista era até barato, pois se manteve em formatinho e com um número de páginas que não a transformaria numa encadernação, mas claro que sempre com matérias boas e a galera que fez o nome da publicação como Odair Braz Júnior, Alexandre Nagado, Ivan Finotti, André Forastiere, Rogério de Campos, Marcelo Del Greco, e o respondedor de cartas metido a mulherengo Elvis Ricardo Jr, que fazia o Corréio Galáctico, uma seção pérola da revista.
Como tudo que faz sucesso gera imitação, rapidamente se alastrou nas bancas cópias da revista, como Heróis do Futuro, Japan Fury, publicação voltada apenas a animes, e Animação, essa de formato americano, e sua primeira edição vinha acompanhada com uma clara frase de cutucão à adversária/ original, "Revista Animação: Muito Mais que Heróis". Como moleque curioso que eu era, comprava todas revistas que continham informações importantes sem o menor preconceito, mas não colecionava, minha queridinha mesmo que eu comprava religiosamente continuava sendo a Herói, que parei de acompanhar alguns anos depois. Nesse período que passei afastado da revista percebi que ela foi sofrendo uma mudança aqui, ali, mas nada que a descaracterizasse, mas foi perdendo páginas. Em um determinado período a revista deu cria, foi lançada versões da mesma equipe de revista de música (Som, que só durou um número, trazendo os Mamonas Assassinas na capa, apesar da revista Herói anunciar uma próxima com matéria do Sepultura), Herói Games, uma em formato americano que era a Super Herói cuja frase de efeito era "Uma Revista À Prova de Nerds" e a mini Herói, revistinha pequenininha e mixuruca que vinha de brinde com outras publicações, mas nenhuma delas fez tanto nome e causou tanto impacto quanto a Herói (ou Herói Gold, tanto faz) tradicional. E por falar em brindes, ao contrário das concorrentes, a Herói não oferecia nada além de pôsteres em uma ou outra edição, mais um motivo que nos faz considerar a revista como uma publicação de custo barato. Até hoje me lembro da edição comemorativa de ano novo que trazia os Power Rangers na capa, na minha opinião a melhor já lançada, recheada de matérias legais, só que o tamanho era exageradamente gigante e tive dificuldade em encontrar lugar para guardá-la, creio que se não fosse isso a teria até hoje.


A revista parou de circular entre 97 ou 98, não lembro bem, mas não sem antes ultrapassar a marca das 100 edições lançadas, mas voltou em agosto de 1999 com a Herói 2000 trazendo na capa Pokémon, até então desenho do momento. Comprei alguns números anté perceber a revista se escassear aos poucos na banca até sumir de vez, mas aí eu já estava me iniciando nesse novo vício da era moderna que tornou a revista dispensável para mim. Mas também me rendeu bons momentos, sobretudo reviver os áureos tempos de estudante primário colecionador da revistinha Herói, e acreditem que eles continuavam falando dos Cavaleiros do Zodíaco de vez em quando. Entre uma das pérolas da herói 2000 lembro de ter lido sobre o seriado As Aventuras de Tiazinha, vinha até com mini pôster em desenho estilo mangá dessa maravilha, "crássico dos crássicos", tomara que um dia eu consiga baixar essa belezura.
Como aparentemente a revista não sobreviveria hoje em dia, e se adaptando ao mundo moderno, a revista não acabou (ebaaaaaaaaaaaaaaa), e sim virou site. O que seria a revista impressa você pode acompanhar nesse site / blog http://www.heroi.com.br nem preciso dizer que é um dos que vivo acessando, né?
Tanto o site quanto a revista que me acompanhou na adolescência é uma grande fonte de influência para mim, inclusive para escrever esse blog.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Missionário

A idade não é nada se você tiver de onde buscar forças e artimanhas para o resultado pretendido. Nem que seja daquele seu amigo imaginário pervertido.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Historinhas dos primórdios da Turma da Mônica



Artisticamente falando, Maurício de Souza mandou muito mal ao lançar a Turma da Mônica Jovem, embora as vendas não fiquem devendo em nada aos gibis da Turma original. Sem dúvida os lançamentos dos gibis precisavam se reinventar e um grande acerto da editora de Maurício foi o lançamento da Turma da Mônica Coleção Histórica, que reúne bimestralmente gibis dos cinco personagens mais famosos desde o primeiro número, lançada desde 2007 acompanhada por uma caixinha de papelão montável para guardar a coleção. Atualmente já se encontra no volume 32 e apesar do preço um tanto alto (20 reais), devemos levar em consideração que o que levamos para casa não são apenas cinco revistinhas da Mônica e sua turma, e sim todo seu valor histórico acompanhado pelo surgimento e crescimento de cada personagem do universo deste Walt Disney brasileiro, um presente para a geraçao que se alfabetizou com a Turminha, e o preço acaba se tornando mais do que justo.

Eu já tinha esse prazer arqueólogo com relação aos gibis da Turminha desde meus 10, 11 anos. Fazia escavações nos sebos do meu bairro em busca das edições mais antigas possíveis, e já ficava todo contente quando encontrava gibis e almanaques dos personagens em seus primórdios da editora Globo, imagina então quando me deparava com exemplares da época da editora Abril. Meu irmão, cinco anos mais velho, teve acesso a gibis antigos e seu acervo contribuiu para meu enriquecimento cultural e prazer histórico por historinhas clássicas de tempos em que eu ainda engatinhava. Claro que quando descobria um gibi muito antigo seu estado de conservação era precário, com páginas amareladas, encardido, empoeirado, alguns sem capa e quase se desintegrando, mesmo assim eu comprava e acredite, fazia um verdadeiro ritual de manutenção para poder preservá-lo por muitos anos. Eu tirava a poeira, manuseava as páginas com todo cuidado e em alguns casos passava papel higiênico ou algodão umedecido em álcool uma à uma. Lembro que o gibi mais antigo que consegui encontrar foi um do Chico Bento de 1983, que inclusive já foi relançado na Coleção Histórica, e na época minha alegria foi tremenda em ter adquirido um exemplar do ano do meu nascimento. Tente enxergar o quão interessante é poder ler os gibis novinhos em folha de uma época que nem imaginávamos vir ao mundo, e ver nas histórias o que era moda e referência em outros tempos. Alguns exemplares não são assim, tããão jurássicos, como os da Magali, que teve sua primeira publicação ainda em 1989, mesmo assim é emocionante rever nas bancas edições imortalizadas em nossa querida memória da infância. Infelizmente só recentemente passei a comprar a coleção, mas ao que tudo indica é que a Coleção Histórica vai durar por muito tempo, já que atrai tanto crianças como adultos, que viveram os velhos tempos e sabem o que é bom. Um complemento importante é o comentário do roteirista Paulo Back, tal como os extras de um DVD. Ele explica cada historinha, contando em detalhes o que era válido para a época e o que para hoje em dia, até mesmo com o advento da censura, torna-se enviável repetir.


Os relançamentos dessas relíquias nos apresentam o surgimento e seu contexto inserido dos personagens não tão importantes, mas também não menos interessantes, como Capitão Feio, Seu Juca, C.B. - A Nuvenzinha Máu Caráter, Os Souzas, Nico Demo, Tv Zé Luisão, Dr Olimpo, Clotilde e Cremilda, Anjinho, e um dos que mais gosto, o Louco. Sua primeira aparição se deu já no primeiro número do gibi do Cebolinha, em 1973. Originalmente criado pelo irmão do Maurício de Souza baseado na aparência de um desenhista da equipe, o Louco é o que poderia ser considerado como o amigo imaginário do Cebolinha, já que só ele consegue enxergá-lo e é o único personagem da Turminha com quem ele contracena. Suas histórias não acompanham uma lógica racional, não tem estrutura de roteiro (começo, meio e fim), o que acaba não importando se o intuito é fazer o Cebolinha de bobo e quase enlouquece-lo. Mesmo assim é um barato e muito engraçado. Chego a compará-lo com o Chapeleiro Louco de Alice no País das Maravilhas, com o Gato, do filme do Mike Myers, e até com o Máskara, embora o personagem de Maurício tenha vindo bem antes dos dois últimos. Além disso as historinhas tem todo um clima de desenho animado, lembra os personagens da Looney Tunes, e o personagem principal do filme animado Uma Cilada Para Roger Rabbit. Porém, assim como muitos personagens, o Louco foi mais um que foi se pasteurizando com o tempo, sua loucura e suas elocubrações foram sendo enxugadas, o personagem não pode mais ser tratado por um paciente de hospital psiquiátrico em fuga ou fazendo coisas bizarras como lamber ferro de passar, ainda bem que as páginas e os quadrinhos das edições relançadas não são mutilados (a gente espera que não sejam nunca). Mais legal do que ver o Anjinho se metendo em planos infalíveis e levando coelhada é ver as bizarrices animadas e desconexas do amigo cínico do Cebolinha. Talvez se o Cebolinha o usasse em um plano infalível, conseguiria ser o dono da rua.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

De repente 30


Finalmente me tornei mais um balzaquiano. Adeus casa dos 20. E com isso mais um dia depressivo. Sei que tem gente que gosta, mas sempre detestei fazer aniversário. O fator tempo é meu supervilão e a impressão de que muita coisa que ainda não fiz estou perdendo a chance de fazer a cada 28 de janeiro que chega. Ainda me lembro quando estava fazendo 18 aninhos, já bem animado por estar entrando na vida adulta, e pensar que isso já tem doze anos, buá! Mas o que importa é saúde, embora eu ainda não tenha atingido o sucesso profissional almejado. Espero que as pessoas se lembrem de mim, da importância que tenho para esse mundo e quem sabe, de repente, eu possa fazer falta para ele um dia. Tomara que nos meses seguintes eu possa me realizar cada vez mais, me aproximando de meus sonhos pretendidos, e que no próximo dia 28 eu já esteja me sentindo melhor e mais satisfeito do que me sinto hoje, apesar de um ano mais velho. É, os 30 até que não demoraram, mas também não atrasou tanto, afinal, minha bagagem cultural e de experiência não é pequena e disso me orgulho, já que 30 anos não é 15. Isso me faz ver que o problema não é envelhecer, e sim não acompanhar corretamente o processo exigido pela linha evolutiva. E é assim mesmo que as coisas tem que ser. Bom, eu que não gosto de pieguismo barato estou aqui escrevendo esse post do meu aniversário, mas vai que ninguem lembra, pelo menos eu mesmo posso prestar para mim uma homenagem. Se bem que, em se tratando de esquecimento, eu que queria esquecer quando faço aniversário, mas deixa pra lá, vou parar de chorar e o que vou fazer agora é aproveitar, já que é só uma vez que se faz 30 na vida. Agora como homem maduro que devo ser daqui para frente, vou aproveitar esse ano o máximo que conseguir, e os anos seguintes também, e que eu tenha muitos anos de vida para mostrar ao mundo e a mim mesmo a transformação que há de me acometer e me tornar um cara de fato feliz. Para que, só assim, possam vir os 40.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Supernanny, a Encantadora de Híbridos



Para se adequar a um sistema de vida ordinário talvez eu devesse ter passado por uma série de medidas controladoras que produzisse o efeito de uma castração química, e não me refiro ao regime materno ou um estratagema como um chip Mondex implantado na fronte. Pois, apesar de bom garoto, acredito que eu não seja o filho coerente e encantador que minha mãe pediu a Deus. Pode ser que minha natureza aquariana, sonhadora e faminta, sem nunca ter se saciado, não permitisse que eu me enquadrasse na categoria ordinária, e sim extraordinária, mesmo que medíocre. Uma razão que consigo encontrar para minha precoce queda de cabelo que anuncia um não tão distante novo calvo, tal como a real concepção do Super Homem tão discutido por Zaratustra. Distanciando-se um pouco do meu umbigo, é preciso esclarecer que não há subserviência sem prazer em obedecer. Aliás, há, mas isso é tão criminoso quanto obter favorecimento através de chantagem. É preciso, antes de tudo, cativar ou conquistar respeito, admiração, como se faz com os animais. A obediência de um cão a seu dono ou treinador é pautada no respeito adquirido, reconhecimento e laços de fidelidade. Sendo mais forte que o homem, o animal sabe que a mão que o afaga e o alimenta não deve ser atacada até que perdure essa troca entre humano e animal, assim como o amor e a proteção de seu dono pode torná-lo dócil e submisso, pois, ao contrário do homem, o animal sabe o real significado da amizade e projeta em seu dono o centro de seu universo, podendo doar a sua vida para salvá-lo. O animal que por algum motivo se sentir ameaçado ou com fome não êxita em atacar, principalmente aqueles por quem identifica, pelo olfato e por maneirismos reconhecidos, a possível ameaça, já que os animais conseguem identificar a essência dos humanos. Mas falemos agora de outro tipo de "íncapaz", não menos inocente, porém mais indefeso, as crianças. Pais e professores teoricamente são os responsáveis pelo sucesso dos adultos de amanhã. Mas será mesmo? Será que se minha criação fosse seguida ipsis litteris por uma apostila hoje eu seria uma pessoa bem realizada, levando em conta que a criação de um filho é mais complexa do que (a)parece? Acho difícil. Me baseando no que sou hoje, se fosse obrigado a jogar a culpa na minha criação, diria que minha mãe acertou numa coisa e errou em outra. Sou do tempo em que a referência era sempre masculina, a educação e bons costumes eram revistos mediante influência do capital, da presença espiritual e não física, do saber e se orgulhar, da identificação, das promoções e experiências paternas que nos faziam gozar por tabela enquanto a vida adulta não chegava para nos fazer topar e nos frustrar com as enrustidas. Do tempo em que a presença material materna não punha mesa, não nos prestigiava com boa índole comportamental, não ditava regras, não influenciava, por mais que fosse o princípio da época de uma geração criada por mulheres. Não havia trocas e respeito mútuo. Não éramos cativados, e a falta de respeito por nosso padrão comportamental típico da pubescência não nos permitia devolver o que não nos era dado. Como se pode ver, na minha geração nao teve a Supernanny. E eu precisava dela. E sim, talvez hoje eu fosse uma pessoa melhor se em minha vida não tivesse faltado uma Supernanny.



O mundo é feminino

Por mais que o meu pai sempre fosse para mim um exemplo, foi a presença constante da minha mãe que me fez enxergar a materialidade positiva materna. Embora cada vez mais fosse comum filhos de pais separados, a mãe, se não é a fonte mais importante de afeto que uma criança pode procurar, ao menos deveria ser, pois faz uma falta danada, sobretudo para as crianças do sexo masculino. Por razões morais e de segurança, não se vê cuidadores de creche ou professores de Jardim da Infância homens (com excessão do Schwarzenegger), vimos isso já no nome do sistema de ensino, Educação Maternal. Os homens não despertam respeito, segurança ou mesmo simpatia no quesito relação entre adulto e criança. Desde cedo somos orientados a não pedir informação ou falar com estranhos, menos ainda se forem homens. A mulher sempre esteve presente em nossa vida quando precisamos de alguma coisa, bastando chorar para que se materializasse em nossa frente, nos higienizando, alimentando ou cuidando de nossos ferimentos, e isso desde que o mundo é mundo. Já faz bastante tempo em que homens e mulheres trabalham por igual, e pensando nas crianças carentes de atenção e alguém que lhe passasse bons valores através da educação e companheirismo, foi idealizado uma nova super heroína, a Super Babá, encarnada por tipos como Nanny McPhee, A Noviça Rebelde e Mary Poppins, governantas que se tornam para os baixinhos personificações de amizade, ensinamento e segurança que seus pais jamais seriam. Esses personagens fetish infantil, tão cultuados desde décadas passadas, ganharam nova roupagem em versões mais modernas, no reality britânico Supernanny, evocando a Super Babá no sentido literal da palavra. Essa nova heroína não veio para ser exatamente amiga das crianças, e sim dos pais que não sabem como fazer funcionar corretamente seus pimpolhos, o que afinal é justo, sendo eles o porta voz dos filhotes. Se validando do pastiche da governanta encantada conquistadora de corações infantis, a começar pela indumentária, maneirismos e dotada de títulos que lhe valha confiança dos pais e respeito para com seus filhos, como diploma de pedagogia, livros publicados e experiência em trabalhos com crianças, a Super Babá pega casos difíceis com supostas crianças problemáticas, às vezes com problema mais fácil do que se fantaseava, mas devemos levar em conta a audiência, que como espetáculo se necessita. Mas a heroína não pune, educa, uma autêntica treinadora que aponta para os pais o caminho das pedras para a correção dos pestinhas. Atentando para a visão realista da coisa, o então inovador reality gerou suas versões pelo mundo afora, como nos EUA e o Brasil. A inglesa Jo Frost faz uma babá mais jovem que a nossa representante, e embora bem alimentada é mais interessante que a já madura Cris Poli. Jo é atraente, faz linha dura sem ser carrasca, não é boba e disciplina bem, imagino que uma criança consiga respeitá-la mais que uma professora Helena, por exemplo. Além disso não aparenta ser uma figura casta, ao contrário, parece uma mulher experiente, e conforme vai lidando com crianças pequenas transparece ainda mais sua essência tutelar. Não obstante, as crianças mais velhas devem vê-la com olhos mais atrevidos, afinal, é comum a criança do pré-primário inconscientemente projetar na sua professora a imagem de sua primeira namorada. 






Cris Poli, a Supernanny brasileira, é mais experiente  e talvez por isso a credibilidade dos pais por sua eficácia seja maior. Apesar da cara de zeladora de escola, ela não é ranzinza e tem muita paciência, seja no trato dos pequenos como no trato com os adultos, e eu consigo até achar atraente a comida de rabo que a nossa babá às vezes dá nos pais, fica particularmente sexy. Ora, eu me excitava até mesmo com a minha psiquiatra quase cinquentona no meu tempo de adolescência. Aliás, são muitos homens que sentem atração por governantas disciplinadoras, e por mais que eu prefira uma Jo Frost como uma governanta não posso deixar de reconhecer que uma Cris Poli tem seus valores, sua idade avançada pode significar para ela o equivalente para um bom vinho, e sua persona se permite um cuidado enorme com a aparência, estando ela sempre elegante, e inclusive variando as cores do figurino já que o azulzinho, lilás e derivado do roxo, apesar de clássico, já estava saturado.


Lidando com híbridos ou não (aquelas criaturinhas sem vergonha de filmes como Constantine), dando lições aos pequenos e aos pais sem precisar se esgoelar e fazer uso de castigos corporais, o alter ego das babás vem promovendo a paz nos lares desde 2006 em nossa terra, mostrando que a disciplina a longo prazo é que é o melhor amigo dos baixinhos, ao contrário das pregações tatibitati da Xuxa. E que de pudica não tem nada, só Deus pode saber os mistérios que se escondem sob o uniforme daquela experiente senhora que sabe e gosta de mandar. Agora entendeu a falta que uma dessa fez em minha vida?

Mamãe disciplinando pestinhas. Gostei dessa foto.

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