sábado, 27 de outubro de 2012

World Heroes II O jogo de luta mais versátil do mundo dos games



















Que Street Fighter é um dos principais (ou quem sabe o principal) jogo de luta dos anos 90 ninguém discute. Mas sem sombra de dúvida o jogo mais versátil, no quesito variação de personagens é World Heroes II (não confunda com essa tosqueira), no tempo dos consoles 16 bits antes de sonharmos com jogos com mais de 30 lutadores selecionáveis para plataformas mais avançadas. O primeiro World Heroes data de 92 e conta com apenas 8 lutadores e o chefe final, padrão normal para os jogos de luta da época, mas foi um ano depois que a ADK, empresa que elaborava e lançava os jogos, veio com a versão que apresentava mais 6 lutadores e mais um chefão final, todos eles com características bem mais distintas que os lutadores de rua da Capcom, não estando restritos ao universo das artes marciais. Devido ao sucesso do primeiro jogo a ADK se juntou à outra empresa de games, a SNK, que lançou Fatal Fury e Art of Fighter, hits dos arcades e dos consoles caseiros pelo mundo afora, o que permitiu o lançamento para plataformas como Neo Geo e Neo Geo CD. Pena que a molecada de hoje não conheça este que foi um grande jogo de luta, pois terminou em sua quarta versão, lançada em 95, e antes que se perguntem, não, World Heroes não foi superado, pois já era muito bom,  apenas ganhou detalhes como melhorias no gráfico, golpes novos, qualidade da trilha sonora e um ou outro personagem novo. Mas o que me bastava mesmo e me fazia considerar um dos games mais fodas do Super Nes é World Heroes II. Quando Fatal Fury e Art of Fighters se fundiram transformando os lutadores em personagens de uma franquia só, The King of Fighters, World Heroes ficou de fora. Isso porque a ADK provavelmente teve medo de perder os direitos exclusivos dos personagens, vai saber. Mas não importa, quem sabe foi até melhor assim, ia descaracterizar a mitologia e o charme dos personagens. 

























Vez ou outra eu ainda me flagro jogando esse clássico pouco aprofundado em terras brasileiras, quase sempre com Brocken, meu favorito. Imagina um jogo de luta com personagens tipo robô, jogador de futebol americano, um viking, um pirata, a Joana Dark! (Nunca soube se era a própria ou uma referência), um mago russo, um feiticeiro vodu da Indonésia, um metamorfo feito de cristal líquido idêntico ao Surfista Prateado, que tem o poder de se transformar em qualquer lutador do jogo bem ao estilo Shang Tsung, fora outros mais convencionais, mas sem pecar pela falta de originalidade, como um personagem que alude (ou quem sabe é o próprio) ao Bruce Lee. São eles:






Fuuma: Um ninja do Japão feudal, de cara limpa e quimono estiloso, cujos golpes são shurikens de fogo, ´´Dragon Punch`` envolto por um dragão oriental flamejante e estrelinha giratória planadora com o corpo. Pois é, também encontro aí semelhanças com os personagens de Street. Normal. 






Hanzou: Como todo jogo de luta que se preze dos anos 90, o uso de dois lutadores semelhantes era um xavão repetido exaustivamente. Pertencente ao clã rival de Fuuma, Hanzo tem golpes e magia parecidos, com uma ou outra diferença.


Jhonny Maximum: Um jogador de futebol americano gigante. Possui a conveniente fire ball de bola de futebol americano. Às vezes ele ´´chuta`` uma dessas para cima do adversário.

Capitão Kid: Pirata escocês. Possui bons golpes e poderes provenientes do mar, como navio pirata e um tubarão de energia.

Ryoko Izuna: Essa personagem foi baseada numa judoca adolescente que disputou nas olimpíadas. Possui uma fire ball que não sai do lugar, só serve se estiver muito perto do oponente ou se o tonto pular em cima. 







Shura: Lutador de Muay Thai. Para mim é o Sagat e o Joe Higashi de World Heroes. Só que um pouco mais baixinho e minguado. Detalhe curioso: os monges tailandeses do estádio dele dando pulinhos é hilário.





Erick: O viking. Nome sugestivo o dele, não? É forte, selvagem e luta com dois machadinhos (lutar armado pode?). Possui um golpe congelante a la Subzero, mas sem petrificar o adversário; ele simplesmente vira um bloco de gelo e desaba no chão, em seguida voltando ao seu estado normal e perdendo energia. Também tem outros poderes vindos da água, como a ondinha que ele manda em direção ao adversário. 



Rasputin: Mago russo, existiu de verdade, sendo uma figura lendária. Suas mãos e pés ganham proporções enormes quando vai golpear o adversário, e tem um golpe que até hoje acho hilário, ele prende o adversário entre suas duas mãos gigantes e fica ´´batendo palminha`` o sufocando, entoando uma risadinha ou gemidinha tosca. O que também me faz rir é seu golpinho giratório, não sei por que, talvez por ele ser velho. Eu acho o personagem mais engraçado do jogo.



Muscle Power: Lutador de luta livre que na minha opinião é mais caracterizado e mais fácil identificar como um do que o Zangief, lembrando os lutadores americanos das antigas. O personagem parece até o He Man. A defesa do bicho faz a gente acreditar o quanto o cabra é homi, ele simplesmente abre o peito para a pancada  do oponente, este é seu conceito de proteção. Prefiro o Wrestler do Hulk Hogan do que qualquer MMA, por ser mais divertido (e mais carnavalesco também).



Mudman: Feiticeiro vodu. Eu achava que era haitiano, mas pesquisando na web vi que ele é da Indonésia. Usa uma máscara primitiva gigante que cobre boa parte de seu corpo. Lembra um daqueles pajés das tribos indígenas brasileiras. Durante a luta, Mudman evoca uns espíritos pequeninos para ajudá-lo, inclusive cuspindo alguns deles para cima do adversário, no sentido literal de magia, e constantemente ataca com um golpe giratório planador semelhante ao de Fuuma e Hanzo. Um dos meus lutadores preferidos. Ele é como o Dhalsin do jogo, mas eu ainda o acho bem mais bizarro.








Dragon: Bruce Lee. O Fei Long do jogo, o Liu Kang. Precisa dizer mais? Não tem magia como fire ball, só uma voadora flamejante e uns soquinhos ligeiros como os chutes da Chun Li.







Janne: Todo jogo bom de luta tem que ter uma gatinha, e que gatinha é essa Janne! Loira, excelente espadachim, luta sempre segurando duas espadas (olha a mente poluída). Seu golpe mais interessante é o fire bird, uma espécie de fênix maluca que ela lança como fire ball. 






Julius Carnn: Um guerreiro mongol (pronto, trocadilho de novo). De todos esse era o que eu menos gostava. Baixinho e gordinho feito a Mônica, é ágil e tem golpes fortes, porém é bem feinho e parece um pavão de tão enfeitado. Quando vence uma luta, aparece na comemoração com unhas grandiosas também, que mais parecem garras.




Neo Geegus: Uma mistura de Exterminador do Futuro com Surfista Prateado e Shang Tsung. Um dos chefões finais. Tem o interessante poder de se transformar em todos os lutadores, mas ao contrário do personagem de Mortal Kombat que exibia uma metamorfose perfeita, a de Geegus permanecia com a mesma cor (cor de metal líquido, denunciando a versão paraguaia).





Neo Dio: Igualzinho a Geegus, só que cabeludo. Na verdade foi criado bem antes de Geegus adquirir ´´tonalidade parecida``, sendo dr Brown seu inventor, que também é criador de Brocken. Neste World Heroes Neo Dio é o vilão final. 










Brocken: Como já disse, esse é meu lutador preferido. Um robô criado a pedido de Neo Geegus para ser usado na Segunda Guerra Mundial, e dado de presente para ninguém menos que Adolf Hitler. Dr Brown, o cientista, se arrepende do monstro que criou e tenta esconder esse matador de judeu. Começa então a elaborar um projeto de máquina do tempo para trazer os maiores guerreiros de toda a história mundial para o combate ao nazismo,  daí toda a história do jogo começa. Com visual de soldado alemão nazista, o robô tem longo alcance no combate corporal devido a seus membros superiores e inferiores esticarem feito o Dhalsin. Possui golpes interessantes, como o superman de Raiden, a descarga elétrica e o míssil que projeta fazendo o adversário arder em fogo, sem mensurar os raios que saem dos dedos. Afinal, ele é uma máquina, além de, de certa forma, ser o personagem principal, pois sem ele o roteiro do jogo não existiria. O que mata mesmo é o final, se você zerar com ele vai ver que o bicho metálico é bem menos estiloso sem uniforme.





World Heroes no geral é influenciado pelo estilão do mangá e do animê, não a toa fez bastante sucesso no Japão. Um detalhe do jogo que me agradava era que para cada botão que selecionasse o lutador ele ficava numa cor diferente, e além das cores originais as opções coloridas eram grandes, dessa forma podíamos variar e não enjoar tão cedo do personagem. Outro ponto interessante é que podíamos selecionar o modo como jogar, o normal e o Survivor Match, em que em cenários totalmente diferentes a luta se dava em meio a obstáculos como cerca eletrificante,  raios que caem de cima, minas explosivas e paredes cheias de espinho, tudo para dificultar o combate, e a barra de energia é uma só para os dois lutadores sendo que a função  era fazer a barra acabar para o lado do adversário, que após a derrota ainda tem dez segundos para decidir se levanta e continua o combate. Mas eu sempre preferi o modo normal. A história talvez seja a mais inovadora e fictícia do mundo dos jogos de luta, a mitologia gira em torno da Segunda Guerra Mundial, máquina do tempo, personagens de diferentes períodos da história do mundo e seu desejo de voltar para sua época. Se você é daqueles que nasceram no tempo do Playstation para cima, não perca tempo e baixe um emulador de Super Nintendo e o jogo World Heroes II. Você vai se surpreender.


A estátua que oculta seres perigosos.

A voadora flamejante de Dragon.

Olha só como o cenário fica no modo hard Survivor Match.



Neo Geegus na forma de Mudman.

Neo Dio caindo no braço.


A seguir os cenários de luta de cada personagem nas duas versões, a normal e a Survivor Match, ou como muitos preferem, Death Match.

Brocken

Versão normal

Versão Survivor Match

Dragon

Normal

Survivor Match

Fuuma

Normal

Match

Hanzou

Normal

Death

Janne

Normal


Match

J. Carnn

Normal

Match

Muscle Power

Normal.

Match

Maximum

Normal

Match

Capitão Kid

Normal

Match

Mudman

Normal

Match

Ryoko 

Normal

Match

Rasputin

Normal

Match

Shura

Normal

Match

Erick

Normal

Match

Chefões


A versão match de Neo Dio é a mesma do Erick.









segunda-feira, 22 de outubro de 2012

True Story


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O outro Homem Morcego da DC Comics


Batman sempre foi e sempre será o Homem Morcego mais famoso do universo dos super heróis, mas muita gente não sabe (ou esquece) que existe um outro até mais morcego que ele, o Morcego Humano (Man Bat no original, apenas invertendo a conjunção de nomes do defensor de Gotham), que além de ter corpo de morcego em forma de gente ainda tem superpoderes, ao contrário de Bruce Wayne. O blog orgulho-nerd não poderia deixar de prestar uma homenagem a esse querido e curioso antagonista, que sempre foi meio ofuscado, mas merece uma atenção mais caprichada. O morcegão foi criado pela dupla Frank Robbins e Neal Adams, que faz sua arte, em 1970, estreando no gibi Detective Comics 400. Antes de virar a criatura, Robert Kirkland Langstrom (creio que nesse sentido o nome ´´Kirk`` seja uma brincadeira relacionada aos sons que os morcegos emitem) era um zoólogo admirador dos mamíferos voadores, que trabalhava no Museu de História Natural de Gotham. Não a toa, era fascinado pelo justiceiro mascarado que usava o uniforme de morcego, e como ele estava com problemas auditivos não achou uma  má ideia usar a si mesmo como cobaia para a fórmula que desenvolveu que  fornecia habilidades de morcego para quem a experimentasse, achando que poderia controlar seus instintos, mas ao contrário do que imaginava virou uma monstruosa criatura alada irracional. Na época estava compromissado com Francine, e sua noiva, ao saber disso, ingere a fórmula por amor tornando-se uma criatura semelhante. A princípio um inimigo do Batman, o morcegão acabou ajudando o mascarado a combater uma quadrilha, tornando-se assim uma dupla bem mais sugestiva que a com Robin, e Bruce fornece o soro fabricado pela indústria Wayne que faz com que Kirk e Francine voltem ao normal.  Porém, sabendo que existe uma possibilidade de voltar a ser gente apenas ingerindo o soro, Kirk passou a tomar a fórmula com mais frequencia, se viciando nela e por vezes não conseguindo controlar seus instintos animalescos, o que o faz muitas vezes ter atitudes de vilão, mas eventualmente consegue controlar seu instinto e atuar como herói, levando em conta também a amizade que adquiriu com Bruce. Histórias do Morcego Humano em busca da cura foram produzidas por Marshall Rogers, Dick Giordano, Jim Aparo, Steve Ditko e outros.

















Quadrinhos solos da Ebal





Aproveitando a modinha de vampiros da época (que não era Crépusculo) foi lançado o gibi solo do herói pela editora Ebal, adaptado na época como Morcegomem, no ano de 1975. Mas foi um floop e foi cancelado já no segundo número, e o herói voltou a ser um mero coadjuvante nos gibis do Batman. Cheguei a ter a segunda edição comprada num sebo no áureo ano de 92, o desenho do morcegão era mais feinho e ele não parecia tão ameaçador com seriam seus traços mais tarde. Sua aparição mais importante veio a ser dois anos depois do cancelamento de sua série, em Bat Family, de 78.







Animação

O morcegão albino de O Batman, de 2004

O morcegão deu as caras em traços mais ameaçadores em Batman, série animada, dando dor de cabeça no Batman, como realmente deve ser sua adaptação nos desenhos. Em 2004 ganhou uma nova versão para a série The Batman, dessa vez um morcego albino. Parece que, para diferenciar um pouco do herói original e não fazer o Bruce ter inveja, inventaram de que ele não deve ter cores tão ameaçadoras, optando por transformar Kirk Langstrom num pesquisador de morcegos albinos, tornando-se, obviamente, um morcego branquelo. Não gostei. Já não basta o cara ser um morcego no sentido literal da palavra ainda tiveram que mudar a paleta. Deixasse neguinho mesmo, ora bolas. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Resident Evil Retribuição - Crítica


Texto publicado na Revista Mais Mulher de Outubro/ 2012

Resident Evil – Retribuição
Apenas mais do mesmo



Com um intervalo de um ano entre um filme e outro (os anteriores tiveram de dois a três) Resident Evil – Retribuição chega sem acrescentar nada importante, e ainda não é dessa vez que a saga termina. Não chega a decepcionar, pois quem já assistiu ao menos ao filme anterior já podia imaginar que os elementos adotados por Paul W.S. Anderson para a saga em questão são vislumbres visuais, tiros, explosões, lutas coreografadas, criaturas caprichadamente horrendas e mulheres belas e esbeltas, como um bom cineasta cujo currículo é recheado de adaptações de games. Sendo assim o roteiro batido é facilmente compensado para seu público, a maioria composta por jovens do sexo masculino, por mais uma experiência sensorial semelhante a dos games, desta vez trocando o controle tradicional pelos óculos 3D, como se o espectador acompanhasse um gamemaníaco conduzir o jogo em infinitas doses de realismo.
Está certo que os jogos da Capcom ainda empolgam, os zumbis continuam na moda, mas será que precisaríamos de tantos títulos de Resident Evil para o cinema? O terceiro (A Extinção, 2007) para mim é o melhor, o seguinte (Recomeço, 2010) serviu apenas para enterrar a esperança de que continuações à altura aparecessem, mas até aí tudo bem, pois se tratava agora de uma franquia rentável que acabara de cair na tendência ´´mais pipoca impossível``, arriscando o caminho que quisesse já que o intuito era encher as salas de cinema, o problema é que aí vem Retribuição e começa ipsis litteris de onde o último terminou para sabermos depois, com desconforto, que ainda não é o final. Mantendo fidelidade com a sequencia anterior, já no início do filme temos uma bela cena em slow motion de retroação, e uma apresentação bem didática de Alice (Milla Jovovich) sobre toda a trama ao longo da saga envolvendo a corporação Umbrella,seus planos monárquicos de dominação global e o T – Virús que reduziu a humanidade em mortos vivos comedores de gente. Para não dizer que este novo número morre na mesmice é interessante ver uma versão de Alice mais ´´normalzinha``, como uma dona de casa feliz, com seu marido e sua filha deficiente auditiva, numa trama envolvendo clone e mais clones, alguns de velhos conhecidos que passaram pela saga, incluindo aí Rain (Michelle Rodriguez) em diferentes versões, mas que infelizmente não conseguiu se sustentar, tendo como seu melhor diálogo a piada que faz com o traje estilo sadomasoquista de Alice. O que torna o filme razoavelmente agradável, e independente de se conhecer ou não os jogos de videogame, são as simulações ultra-realistas de cidades de Nova York, Moscou e Tóquio, demonstrativo do poder de manipulação da Umbrella, e a heroína atravessa todas elas como fases de videogame ao lado de Ada Wong (Li Bingbing), ex agente da Umbrella que se torna uma personagem tão importante quanto Alice, uma cereja do bolo assim como os personagens Leon (Johan Urb) e Barry (Kevin Durand), todos oriundos dos games que não tiveram vez até então. O monstrão do filme anterior com seu martelo de bater carne gigante está de volta, desta vez em dose dupla, embora a ameaça não pareça mais tão aterradora como antes, mas convenhamos, uma ameaça já não mete mais tanto medo duas vezes seguidas. No geral, A Retribuição é um filme de perseguição e luta pela sobrevivência, não precisamos entender mais nada, as explicações ficaram nos últimos filmes. Alice e seus amigos humanos tentam escapar como podem, e dessa vez ela tem uma inesperada vida inocente para se preocupar, e a perseguição de carros, clichezada em bastante filme, até que funcionou bem aqui.


Alice
Embora tenha sido uma personagem criada especialmente para os filmes, é impossível pensar em Resident Evil sem Alice. Até mesmo os fans dos jogos não tiveram rejeição por ela. Num contexto de que a série para o cinema funciona com a mesma experiência sensorial que um jogo de videogame, Resident Evil é uma série fetichista, e no caso esse fetiche é provocado por e para a personagem principal, condutora do fio narrativo e visual que já se exibiu de diversas maneiras dês de o filme de 2002, ficando ela cada vez mais vislumbrante, mais fálica e mais humana a cada sequencia, dotada de superpoderes ou não. Para as mulheres ela é o que poderia se chamar de alter ego feminino, bem representada por heroínas que agradam a ambos os sexos, em conotações poderosas e sensualidades sutis, como por exemplo a heroína de outra cine-série, Selene (Kate Beckinsale) de Anjos da Noite. Só em A Retribuição a esposa de Paul W.S. Anderson aparece nua numa estalagem secreta da Umbrella, onde tem um diálogo desesperador e delirante com Jill Valentine (Sienna Guillory), encontra e veste seu já tradicional e poderoso traje do último filme, o uniforme preto de corset justinho, e sai na mão em câmara lenta com zumbis, que afinal estávamos com saudade, nos fazendo lembrar o Kung Fu doido do Neo de Matrix, sem a necessidade de repetir ameaças antigas; você provavelmente não sente falta dos cachorros zumbis. Porém, a rainha Vermelha (Megan Charpentir) está de volta, acabando de nos dar um gostinho bom de nostalgia e respeito para com a saga. O mais aguardado mesmo é a luta entre Alice e Jill, e com sinceridade é de tirar o fôlego, não decepciona nem um pouco, quem ver se surpreenderá.
Pode até valer o ingresso se souber o que esperar, tomara que você não precise das explicações iniciais da Alice. É o tipo de filme que me faz me sentir com menos de dez anos. Resta saber como vai ser o embate final dos humanos sobreviventes com o exército de zumbis e clones de Albert Wesker na sexta sequencia e final da saga. Bom, a gente espera que seja.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Gang do Lixo




A maior frustração de moleque que tive com relação aos álbuns de cromos autocolantes figurinhas não foi nunca ter completado um, mas sim deixar de ter um que eu era louco para ter, mas minha mãe não deixava; Gang do Lixo. Como a molecada de hoje não sabe o quanto era divertido comprar envelopes de figurinhas de álbum caça níquel de filmes, desenhos e séries de TV, pois este prazer está cada vez mais diminuto, vamos relembrar dos anos 90, época em que colecionar figurinhas era um barato, trocar, jogar bafo, e gastar a maior grana para posteriormente chorar reclamando que o livro ilustrado álbum nos enganou ao estampar os dizeres ´´todos os cromos (sempre detestei essa palavra)  foram distribuídas em quantidades iguais, não havendo, portanto, cromo difícil``.
Lembro quando eu tinha uns nove anos e vi um moleque levando para o recreio do colégio o álbum cuja capa tinha um boneco enfiando o dedo no nariz transpondo o cérebro para tirar catota, intitulado Gang do Lixo, e num acesso de inveja fui perguntar para o moleque: ´´Como alguém tem coragem de colecionar um álbum tão nojento desses?`` E o moleque, não deixando barato, reponde: ´´Eu acho que é a sua cara``. Diálogos simplórios e infantis à parte, na mesma época alheia à Internet ficava tentado em saber mais sobre esse curioso álbum, e lembrando das figurinhas que comprei escondido penso que hoje em dia a molecada não sabe o que é uma coleção divertida; era simplesmente as figurinhas mais esdrúxulas, debochadas, cômicas e bizarras que já vi. Me identifiquei na hora. Nos dias de hoje a coleção passaria por um rigoroso processo de censura e muito provavelmente seriam abolidas, mas na época, início da década de 90, desenhos doentios de crianças bizarras, defeituosas, sofrendo acidente terrível e fazendo coisas nojentas, todas com nomes sugestivos em trocadilhos que as definem bem, eram consumidas a rodo por pais e crianças. Quem lembra?









Garbage Pail Kids

No finzinho da década de 70 o inventor e fabricante americano Xavier Roberts lançou a linha de bonecas fofinhas Cabbage Patch Kids, que se traduz bizarramente como algo do tipo ´´Crianças Repolho Remendadas``, que fez um sucesso danado entre a criançada embora fossem feias pra cacete. Em 1985 foi lançado o que poderia se considerar uma paródia, o álbum de figurinhas intitulada por Garbage Pail Kids, ilustradas pelo cartunista Tom Bunk, que trabalhou na revista Mad por anos. Garbage Pail Kids (em sua tradução literal seria Crianças da Lata de Lixo) é uma versão bizarra e grotesca das Cabbage Patch Kids, que também fez muito sucesso, desta vez não só entre crianças de 8 a 9 anos como também entre adolescentes, rendendo inclusive um processo de Xavier Roberts para a versão obscura de sua linha de bonecas. No Brasil o álbum chegou no comecinho dos anos 90 com o nome de Gang do Lixo. Nos EUA as figurinhas são lançadas até hoje. Se você é um dos sortudos que teve esse álbum, deve saber que o politicamente correto que se propaga nos dias de hoje é um saco






Gang do Lixo, o filme

Ainda na época que as figurinhas bombavam por aqui um amigo meu comentava que não conhecia o álbum, mas já tinha ouvido falar do filme Gang do Lixo. Só recentemente fui descobrir pela web que em 1987, época em que Garbage Pail Kids fazia barulho, foi lançado um filme bem grotesco com os personagens baseado no álbum, mas é inédito por aqui. Chuck é um bichinho de pelúcia comparado a esses bonecos tão feios. Dá só uma manjada.



Achou que é só isso? Nananinanão, a bizarrice não tem limite. Dá uma manjada na animação produzida em 1989 e vê o que acha. Pena que só tá em inglês, mas que se dane. Me lembrou Os Oblongs. Nem eu sabia que tinha, vou mofar no pc assistindo os episódios, obaaaaaaaa!!!!!!!

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