quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tartarugas Ninja vs Battletoads


Em um combate entre répteis e anfíbios quem leva a melhor? E nada melhor para representar estas duas classes animais do que grupos de mutantes adolescentes feras em combate armado ou corporal presentes em mídias bem sucedidas mundialmente. Porém, nesse quesito, os sapos de batalha levam a pior, pois eles só tem vida ativa de fato nos videogames da Sega e Nintendo, mas o que os falta em participações de veículos de massa resta em criatividade e simpatia. Eu diria até que Battletoads são os sucessores dos répteis mutantes, as Tartarugas Ninja genéricas. Mas vamos logo às comparações técnicas entre as duas equipes, já que há ainda aqueles que jamais notaram suas semelhanças. 

Personagens

Assim como as Tartarugas, os Battletoads são sapos mutantes adolescentes geneticamente modificados. Quanto a origem de tal mutação é um mistério. Só que há algumas versões bizarras a respeito, uma contada nuns quadrinhos feitos especialmente para a revista Nintendo Power mostrando três garotos detonando nas partidas do videogame de realidade virtual Battletoads (que deve botar o Nintendo Wii no chinelo). O fabricante decide então tornar as coisas mais difíceis, chegando ao ponto de fazer os garotos serem tragados para dentro do arcade e se transformarem nos personagens principais. Besteira pouca é bobagem. A outra é de um episódio piloto para uma animação que não foi pra frente, exibido na Fox em 1991. Nele, três surfistas adolescentes que se transformam em sapos mutantes superfortes tem como missão resgatar uma princesa das garras da vilã Dark Queen. 



As Tartarugas, por sua vez, tiveram sua origem baseada na dos heróis Marvel, como Demolidor e X-Men, fonte de inspiração de seus criadores. Em Nova York, um menino carregava um aquário com 4 tartarugas e é atropelado por um caminhão que transportava um tubo com uma substância verde, viscosa e esquisita (que seria o ooze, substância química responsável pela alteração dos gênes das Tartarugas). O aquário com os animais vai parar dentro de um bueiro, e os quelônios, banhados pela tal substância, são acolhidos pelo Mestre Splinter, um rato de aparência humanoide que provavelmente tivera a mesma origem. Em várias versões, como no desenho clássico, Splinter foi o ninja Hamato Yoshi quando humano.





















Os Battletoads são:



Rash: Um sapo cool, na minha opinião o personagem principal, usa óculos escuros e tem toda pinta de rocker. Seu nome verdadeiro é Dave Shar.

Zitz: Nerd, divulgado por aí como líder do grupo, mas eu discordo. Em jogos importantes ele que é a ´´princesinha indefesa que precisa ser resgatada``, mas gosto dele mesmo assim. Sua pele é mais clara que a de Rash, seu nome é Morgan Ziegler e sua marca registrada são suas luvinhas de couro (ou látex) sexy (ui!)

Pimple: O marombeiro do grupo, seu verdadeiro nome é George Pie e é bombadão como ele só. Sua cor é marrom/alaranjada e dá boas cabeçadas no oponente para finalizar o combo.

Enquanto o time das Tartarugas conta com quatro guerreiros, Battletoads tem apenas três. Mesmo assim não fica devendo nada aos quelônios em se tratando de combates, mesmo não dominando o ninjutsu e sem andar por aí armados. Seus próprios punhos e pés são convertidos em máquinas de batalha quando preciso, os chamados ´´Smash Hits``, como botas com espinho na sola, chifre de bode na cabeçada, mão que se transforma em bigorna, martelo, machado, furadeira e até mesmo serra elétrica. E é claro, eles também tem o Mestre Splinter deles, o T. Bird, um abutre geek vermelho.

Tartarugas Ninja:

É até desnecessário falar sobre elas. São tão populares que todo mundo é familiarizado com suas características. Mas vamos lá.

Leonardo: O mais sério e líder da equipe. A cor de suas bandanas é azul. Sua arma é um par de espadas, também conhecidas por Katanas.

Michelangelo: O mais palhação de todos, sua cor é laranja e usa nunchakus. 

Donatello: O nerd, costuma ter invenções brilhantes que tanto ajudam o grupo. Sua bandana é roxa e em algumas versões sua tonalidade de pele é mais escura que a dos outros. Sua arma é um bastão (ou cajado Bo).

Raphael: O esquentado, sua cor é vermelha e usa um par de sais como arma. 

Mestre Splinter: Um velho rato de aparência humana, mestre do ninjutsu, mentor e sensei das Tartarugas. A equipe conta ainda com vários outros aliados, coisa que os Battletoads não tiveram a chance de ter, mas toda a sorte do tempo da série, quadrinhos e filmes,  obviamente dariam a elas oportunidade de conquistarem novas amizades. Os mais famosos são a jornalista April O´Neil, o coelho Usagi Yojimbo e Casey Jones, um jogador de hockey com síndrome de Jason Voorhees, só que do bem, lógico.

O Começo



Battletoads, como bem se sabe, originou-se num bem sucedido jogo de videogame da Rare no estilo Beat-em-up, lançado para plataformas como Sega, Game Boy e NES em 91. Sua trilha sonora foi composta por David Wise, que também trabalhou na trilha de outros jogos clássicos da Rare, como Donkey Kong. Mais tarde foi lançado para S-Nes o que considero ser o melhor de todos, Battletoads in Battlemaníacs, além de Battletoads e Double Dragon, no qual os heróis sapos uniam forças aos irmãos Lee no combate aos vilões das duas franquias gamísticas. Infelizmente a vida útil dos batráquios se resume à sua carreira nos consoles, já que nada mais de interessante foi preparado com esse rico universo, o que acho uma pena, pois creio que renderiam bons projetos aproveitando toda essa mitologia. Mais triste ainda é não estudarem novos jogos para plataformas mais avançadas, um suposto jogo novo para Game Boy Advance divulgado em 2004 foi para o vinagre, e um enganador comercial de TV sobre uma versão para Wii chegou a ser exibido, mas era tudo balela, faltou confirmação oficial e pelo tempo que se passou já é de se saber que era fake. Os sapos antropomórficos, no entanto, estão presos no passado.


Primeiro rascunho das Tartarugas Ninja,  em  1983


As Tartarugas Ninja foram criadas em 1983 por dois quadrinistas americanos, Kevin Eastman e Peter Laird, fans de personagens Marvel e loucos para iniciarem no mundo dos quadrinhos. Fundaram o Mirage Studios e criaram alguns personagens sem sucesso. Durante uma bebedeira começaram a viajar na maionese, imaginando as características que um herói precisaria ter para se tornar um sucesso comercial, e acabaram inventando uma série de zoação reunindo mitologias de super heróis de gibis que vendiam bem na época. Depois de rejeitados por várias editoras que duvidavam do potencial da série, a dupla decidiu produzir sozinha um gibi independente em preto e branco de baixo orçamento, bancado pelo tio de Kevin, ficando com uma puta cara de zine. Lançado em 1984 com um número ínfimo de tiragem para os padrões de revista em quadrinhos, vendeu todos os exemplares e logo mais e mais tiragens foram feitas, em números cada vez maiores. Em 87 Eastman e Laird então assinaram contrato para uma linha de brinquedos e uma animação com os personagens, claro que tiveram que dar uma ´´amaciada`` na temática chula da série para adequá-la aos padrões de um desenho infantil. 


Primeiro esboço de Kevin Eastman
Primeiro esboço de Peter Laird




Vilões:

Battletoads: 




O vilão principal dos sapos guerreiros é a Dark Queen, uma sensual dama de preto gótica com pinta de dominatrix, do planeta Ragnarok, que planeja dominar o universo contando com ajuda de seus aliados, são eles:

Big Blag: Rato gordão, tradicional inimigo dos sapinhos, difícil pensar neles sem lembrar desse vilão, que inclusive usa como arma uma bola de espinhos da ponta de seu rabo.

Robo-Manus: Cyborg bem feio que parece um alien. Outra figura carimbada. 

Silas Volkmire: Penúltimo chefe de Battletoads in Battlemaníacs, um cientista terráqueo que acabou tornando-se aliado da Dark Queen e virando monstro. Como não se sabe muito a respeito da mitologia dos games, parece que foi ele quem criou os Battletoads.

Scuzz: Soldadinhos que aparecem de todos os jeitos em grande quantidade, usando diversos tipos de armas, só para serem vencidos facilmente, o equivalente ao Foot Soldier das Tartarugas. São ratos mutantes e lembram o Big Blag. 

Psyko Pigs: Outro tipo de soldado, são porcos do mato (tá bom, javali) trajando colant de luta livre e capacete viking, equipados com armas como machados e maças. Em Battlemaníacs estão ainda mais fortes e nocivos.

General Slaughter: Um minotauro bombado  braço direito de Dark Queen em suas mirabolantes tramas. Costuma ser o sub chefe e seu golpe mais poderoso é a cabeçada com seus chifres que manda o opositor para bem longe.

Tartarugas: 



Destruidor, o vilão-mor da série, é o líder do Foot Clã e usa uma armadura de samurai. Seu nome verdadeiro é Oroku Saki.

Bepop: Homem porco do mato (ou homem javali). Atrapalhado e tonto, faz dupla com Rocksteady, um homem rinoceronte, também de muito músculo e pouco cérebro. Foram metamorfoseados pela mesma substância das Tartarugas.

Rei Rato: Assim como as Tartarugas, também vive nos esgotos. Imundo e coberto por trapos, o que não falta em seu corpo são ratos subindo e descendo por todos os lados, seus únicos amigos.

Baxter Stockman: Um dos meus preferidos, Stockman é um cientista doidão que inventou os Mousers, aquelas formiguinhas malditas de mandíbula metálica. Se transforma em uma mosca humana.

Krang: Uma meleca rosa gosmenta (tá bem, um cérebro, que seja) que controla um robô. Sua personalidade é ácida e geniosa.

Só para citar os principais.

Games






E agora uma categoria em que Battletoads tem chance de vencer, pois está dentro de sua jurisdição. Mesmo assim, As Tartarugas tem excelentíssimos jogos para NES e, não parando no tempo, para plataformas mais avançadas também. Mas não saberia dizer quem de fato supera quem.



Battletoads chegou aos consoles domésticos com uma perfeição de gráficos para a época, jogabilidade divertida, personagens interessantes, porém com uma dificuldade tão grande que se tornou sua marca registrada até hoje. A primeira versão foi lançada para Nintendo, Game Boy, Mega Drive e Amiga CD32. Em 93 chegou às lojas Battletoads e Double Dragon, segundo jogo em que pintavam os sapos de batalha. Pouco depois foi a vez de Battletoads in Battlemaníacs, lançado para Super Nintendo. Como o primeiro jogo para Game Boy era diferente dos demais,  ainda em 93 chegava a versão do jogo original para o portátil. Em 94 foi lançado somente para os arcades Super Battletoads, a versão definitiva do jogo, com movimentos mais rápidos e brutais, inclusive com a possibilidade dos sapos guerreiros decaptarem seus adversários. Engraçado que no original os heroizinhos tinham orgulho de serem sapos e pegavam as ´´moscas bônus`` no ar com a língua, detalhe abolido nas versões posteriores. Mesmo com poucos jogos, a franquia representa um clássico absoluto do mundo dos videogames e continua a ser um desafio chegar ao final, diferente da facilidade dos jogos modernos. Podendo-se jogar em dupla com a opção de acertar ou não os golpes em seu companheiro, o que faz o gamer ficar de cabelos brancos é que no caso específico desse jogo a aliança só atrapalha, pois lembrando de outra quase marca registrada das aventuras dos sapos, as fases de jet-sky em que se deve superar obstáculos numa velocidade grandiosa morrendo várias vezes até decorar a disposição e o tempo de cada um deles, se apenas um dos jogadores se esborrachasse, automaticamente os dois voltavam de onde parou.


Super Battletoads, a mais alta patente dos sapinhos

Já as Tartarugas tiveram seu primeiro jogo ainda baseado nos quadrinhos lançado para NES em 89 pela Konami, mas foi só a partir do segundo, muito bom por sinal, que correndo atrás de novos jogos os gamers ficaram sabendo desse. O primeiro, apesar de legalzinho, é difícil pacas, a jogabilidade deixa a desejar, pois é difícil controlar o boneco e o gráfico não é dos melhores, isso sem contar os inimigos que lembram os do Ninja Gaiden embora conte com chefes de fase conhecidos. Mas minha única crítica é quanto a dificuldade mesmo, eu achava legal as variações de visão do campo do jogo e a possibilidade de controlar o furgão das Tartarugas. Já o segundo, é considerado por muitos como um dos melhores jogos do nintendinho, beat-up dos bons, jogado em dupla então torna-se ainda melhor. Não deixa nada a desejar em jogabilidade e em aparições de vilões conhecidos, claro que grande parcela de sua conquista é por se tratar da adaptação para os games de personagens queridos. Aproveitando o embalo a Konami lança o terceiro game, mas esse ficou pouco conhecido, já que é difícil repetir grande sucesso e por a molecada já estar voltada aos jogos mais modernos. É até divertido jogar, a jogabilidade do segundo é repetida já que em time que ganha não se mexe e puderam aproveitar para acrescentar vilões que não apareceram no segundo e cenários diferentes, como uma praia na primeira fase. 



Já para o Super NES foi lançado Turtles in Time, na qual os répteis mutantes viajam por diferentes tempos da história enfrentando vilões conhecidos entre criaturas e personagens históricos. Sua peculiaridade é as Tartarugas arremessando os Foot Soldiers em direção à tela no final de um combo causando efeito tridimensional, recurso também usado contra um chefe de fase do primeiro Battletoads, mas eu ainda prefiro os jogos do NES. Em 93 eis que surge uma verdadeira bomba, uma versão estilo Street Fighter chamada Tournament Fighters. Nem precisa falar o resultado, fugia completamente da proposta dos jogos que funcionavam bem, lembrando que no próprio Turttles In Time tinha uma modalidade na qual os jogadores podiam brincar de luta um contra o outro. Pelo que parecia, a Konami estava desesperada, atirando para tudo que é lado para lucrar mais com os personagens. Sei que anos mais tarde tiveram jogos mais avançados, alguns para PC, mas é melhor eu parar por aqui, já não eram mais os bons tempos.


















Então é isso, para mim os dois grupos empatam, Tartarugas Ninja é pop, mas Battletoads é cult, ambos tem personagens interessantes. É certo que o segundo é um sub produto do primeiro, mas tem potencial para viver longe da sombra. Difícil saber qual das duas equipes se daria bem num combate entre elas mesmas, é mais fácil imaginar que os Battletoads seriam aliados das Tartarugas tal como os outros mutantes animais que ali aparecem (ei, se não me engano na série também tem um homem sapo) e naturalmente também teriam sido mutadas pelo ooze. Mas eu acho que os anfíbios bélicos são mais agressivos, as tartarugas carregam as armas para cima e para baixo, mas nunca usam. 
Os répteis tem uma extensa vida em outras mídias, animação clássica de 87, outras de 2003 e de 2012, além de um live action bizarro da Saban em que num episódio se encontram com os Power Rangers, bastante infiel às origens e que ainda traz uma Tartaruga feminina, quatro filmes bacanas, um deles feito totalmente em CGI e um novo que está por vir contando com direção de Jonathan Liebesman e produção de Michael Bay, e que graças a deus foi desmentido o boato de que nessa versão seriam alienígenas. Quanto aos sapinhos, vamos torcer para que um dia sejam enxergados fora dos games e produzam animação, quadrinhos, brinquedos e quem sabe até um filme com eles. Ninguém interessado não? Ou até mesmo um jogo novo, o que, vamos ser francos, já é muito. 


A gatinha April (Megan Fox) confiscando os sais de um inacabado Raphael.



Fiquem agora com os vídeos que fiz um tempo atrás em homenagem a essas duas franquias dos games.

Putanesca Games: Battletoads


Putanesca Games: Tartarugas Ninja

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Chaos: O Guerreiro Z mais underground de Dragon Ball



A série Dragon Ball tem muitos personagens esquisitos, isso é fato, mas um em especial, merecedor de destaque por se tornar um guerreiro Z, é o Chaos, personagem que nunca teve lá muito sentido, mesmo assim é um dos meus candidatos a favorito de toda saga. Sua raça é desconhecida embora muitos teimem que é humana, mas como é possível um garoto (aliás, anão, já que nunca cresce) ser completamente pálido, com mancha vermelha em cada lado da bochecha e de poucas palavras? Está sempre caracterizado como uma espécie de palhaço, parece um parente do Penadinho, com certeza não é humano, mas vamos combinar que é fofinho. Aos poucos fui aprendendo a gostar da figura, mais necessariamente quando ele encontra Kuririn no 22º torneio Tenkaichi Budokai, não resistiu e apontou para o garoto com aquele seu jeitinho inocente o chamando de ´´polvo``. Foi tão fofo e engraçado que nem sei como o cara conseguiu se irritar. Caiu na pilha legal. Chaos se defendeu de volta provando que ao contrário de seu adversário não era totalmente careca, pois ainda tinha um fio de cabelo.

Apareceu pela primeira vez no anime no episódio 84 quando ele e seu companheiro Tenshinham eram grandes picaretas que enganavam o povo de uma aldeiazinha, quando um terrível porco voador invadia suas terras e ameaçava causar grande destruição, para depois posarem de heróis espantando a criatura e exigindo benefícios em troca. Mas era tudo fachada, um golpe combinado entre os três. Mais tarde os dois discípulos do Mestre Tsuru encontram-se novamente com os do Mestre Kame, seu maior rival, nas eliminatórias do 22º Tenkaichi Budokai. Chaos, dotado de poder telecinético, sabota os resultados do sorteio das lutas de modo que Tenshinham enfrentaria Yamcha, e Chaos Kuririn. Mestre Kame, como todos devem saber, participou escondido com uma nova identidade, Jackie Chun. Desde o primeiro combate Chaos mostrou que sua esquisitice não estava só na aparência, o próprio Goku dizia ao assistir sua luta com Kuririn ´´Ele é muito estranho``. Como no funk lá, o cara não andava, deslizava, e se comprometia a desafiar a lei da gravidade ficando parado no ar pelo tempo que quisesse, sem contar que podia também paralisar o adversário o deixando indefeso a seus ataques. Além disso era extremamente ágil e liso como quiabo, evitava os golpes que era uma beleza. Mesmo não saindo no braço, executava com maestria a técnica ameaçadora Dodonpa, golpe tão destrutivo como o Kamehameha, lançado pelo dedinho indicador. Kuririn penou um bocado para evitar os raios. Por sorte, teve a malícia de pregar uma peça no branquelo o fazendo se atrapalhar com raciocínios complicados de cálculos, e o manolo só conseguia fazer contas com os dedos, momento este em que aproveitou que estava desconcentrado ocupando seus dedinhos para se dar bem no combate. Depois do torneio, quando revelado que Mestre Tsuru treinava Tenshinham e ele para serem assassinos como seu irmão morto por Goku, Tao PaiPai, percebem que estavam do lado errado e passam a acompanhar os heróis dali em diante. Tao Paipai retornaria no 23º Tenkaichi Budokai numa versão cibernética, tentando se vingar de Chaos e Tenshinham por terem desistido dos ensinamentos de seu irmão Tsuru, mas seu retorno é vergonhoso e é derrotado deploravelmente por Tenshinham, embora tenha dado um pau em Chaos. 


Sumido por um bom tempo, o anãozinho albino volta à série participando da saga dos Saiyajins. Depois de passar por fervorosos treinamentos com Kami-Sama, Chaos se junta a Tenshinham e Yamcha no combate a Vegeta e Nappa, se sacrificando ao se explodir com Nappa, ocasionando sua morte. Apesar do sacrifício de Chaos, Nappa consegue escapar numa boa. No ´´Outro Mundo`` passa a ser treinado ao lado dos também derrotados Picocolo, Yamcha e Tenshinham pelo Mestre Kaioh, e na saga de Freeza, quando este convoca as Forças Ginyu após perder seus parceiros em combate, Chaos tem seu retorno triunfal derrotando Gurdo, um alienígena de poderes psíquicos. 
Condecora-se até o fim da série como um Guerreiro Z, porém, vamos combinar, é o mais esquisito de todos. Além de tudo, sem querer zoar, o mais ineficiente. Se definiu como um assistente do Tenshinham, voiyeur dos combates e mascote de equipe. Mas se tornou um cozinheiro de mão cheia enquanto ficava na casa do Mestre Kame sem fazer nada. Junto com seu carisma, é uma das coisas que salvam o personagem. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Esquálidus no limbo dos personagens Disney



Muita gente pode não saber, mas nem todos os amigos de Mickey Mouse tem tanta fama e glamour, ou pelo menos não por muito tempo. É o caso de Esquálidus (Eega Beeva ou Eta Beta, há controvérsias), personagem que nem americano é, criado pelo estúdio Disney da Itália em 47. Esse personagem obscuro que eu acho simpático apesar de parecer uma vítima de febre amarela é a concepção do ser humano do futuro (eu hein) encontrado numa caverna pelo Mickey quando procurava abrigo para escapar de uma tempestade. Em suas primeiras histórias só se comunicava através de gestos e pouco depois era conhecido por falar a irritante linguagem do P, iniciando toda palavra com essa letra, ou seja, ao invés de Mickey Mouse a criatura falava Pmickey Pmouse. A Disney italiana queria passar a mensagem às crianças de que dinheiro não é tudo, por isso a idealização de nossa raça lá adiante deveria ter alergia a dinheiro e ser mais amigo do próximo, tornando-se assim o melhor amigo do Mickey depois do Pateta. Como habilidades especiais ele tinha superforça, levitava, atravessava paredes, era extremamente criativo, não tinha sombra (!) e viajava no tempo, tanto que foi parar na então época contemporânea em que Mickey vivia. O saiote que usava era como um Bat-cinto e dentro dele podia armazenar o que se pudesse imaginar, em sua dieta incluía borracha e palha de aço, e assim como seu amigo Mickey tinha o Pluto, ele também tinha seu mascote, o cachorro, ou melhor, o gazecaradràursa (sério mesmo, a raça do bicho) Pflip, igualzinho a ele. 


















Apesar de todos esses predicados o personagem não vingou. Quando eu ainda era bem moleque cheguei a ter em mãos uns gibis do Mickey em que o que justamente me chamava atenção era esse curioso personagem que não se via em nenhuma outra produção Disney, restrito apenas a Turma do Mickey, exclusivamente os gibis. Mais outras historinhas com ele iam me cativando, o personagem era bem fofinho, mas hoje em dia encontramos muito pouco material sobre ele, é quase como se tivesse caído no esquecimento. É de se reconhecer que o personagem não foi pra frente, contudo até teve gibis próprios e edições especiais das revistas Disney da Abril dos anos 80. Não é o personagem mais feio da Disney, mas talvez até mesmo por não ser ianque tenha sido subjugado e  banido das historinhas atuais, a não ser que ele possa ser visto, num caso nem tão remoto assim, em seleções das melhores historinhas Disney que eu acho que é o ponto forte das publicações atuais. Como apaixonado por personagens obscuros que fogem da mesmíce e merecem uma atenção melhor que sou, foi divertido caçar informações do amigo impopular do Mickey que ainda não havia conseguido escapar totalmente de minha mente. E se rolar, que o personagem seja aproveitado futuramente, apresentado para a garotada de hoje em dia. 



Se você não conhecia o personagem ou quer relembrar um pouquinho, fique aí com imagens da nossa concepção padrão Disney do futuro que nos ensina que a aparência física é o que menos importa afinal. 


















Indulto de Natal


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Somos Tão Jovens - Crítica

Texto publicado na revista Mais Mulher de Votuporanga - SP
























O que já é tradição no cinema brasileiro são biografias de artistas que fizeram nome por gerações em nossa terra, na maioria das vezes baseando-se em histórias repetidas inúmeras vezes por vasta bibliografia acumulada pelos anos, e em se tratando de Renato Russo, desde muito tempo objeto de estudo, estava mais do que na hora de ser produzida uma obra que não fosse simplesmente documental sobre sua persona. Para isso foi escalado Thiago Mendonça (o Luciano de 2 Filhos de Francisco) para encarnar o ídolo numa ficcional cinebiografia tocada por Antonio Carlos da Fontoura, que havia dirigido o péssimo Gatão de Meia Idade e roteirizado por Marcos Bernstein (Central do Brasil) baseado numa das biografias famosas do cantor. O filme já começa com o jovem Renato acometido por uma doença que o deixa entrevado na cama numa era sem Internet e pouco antes do boom do rock nacional a explodir em Brasília, fazendo o inteligente rapaz passar seus dias lendo e escutando rock, sua paixão. Aos poucos vai aprofundando seus conhecimentos por seu gênero musical predileto, descobrindo novas bandas e acompanhando o surgimento do movimento punk que foi chegando com tudo pelo mundo afora, sempre acompanhado de sua melhor amiga Ana (Laila Zaid, atriz que fez fama em Malhação), que na verdade é um mix das amizades coloridas que fizeram parte da juventude do rockstar, e amigos músicos futuros que ajudariam a compor o cenário musical em Brasília da segunda metade dos anos 70 e início dos 80, essencial para o rock nacional atual, com bandas que perduram até hoje. Citação a bandas estrangeiras como a inglesa Sex Pistols famosa por trazer o movimento punk para uma projeção mundial, não poderia deixar de existir. O Renato de Thiago Mendonça carrega uma expressão caricata numa interpretação preocupada em trazer para o papel todo seu maniqueísmo e comportamento peculiar no modo de falar e agir, o que pode ter soado exagerado, mas nada que incomode, sendo que para um filme feito para gerações antigas e atuais, que sequer conheceram o artista vivo, o ´´personagem`` desperta empatia e sua projeção foi muito bem humorada, e afinal, não é a concepção do artista que incomoda. O roteiro, por si só, é totalmente enxuto e politicamente correto, a despeito do que foi o filme do Cazuza, interessantíssimo objeto de estudo. Somos Tão Jovens poderia facilmente ser confundido com Malhação, por exemplo, uma dramaturgia preocupada sim em mostrar a trajetória do músico, mas igualmente preocupada em jogar para baixo do tapete aspectos relevantes, mas obscuros, como envolvimento com drogas pesadas, promiscuidade, depressão e a tentativa de suicídio de Renato, fato que o deixou impossibilitado de continuar tocando baixo. A bissexualidade do artista foi levemente arranhada e apesar de termos o conhecimento de que a proposta do filme é apresentar sua trajetória só até o momento em que sua banda em questão, Legião Urbana, deslancha para o sucesso, devemos lembrar que foi seu comportamento promíscuo e sexualidade polivalente irresponsável de longo prazo que o levou a adquirir a DST que lhe ceifaria a vida em 1996. O Renato do filme é um bom filho, bom irmão e um original professor de inglês, que de vez em quando dá uns ataques de rebeldia para cima de seus pais, mas nada que o difere de um garoto normal. Mas é interessante ver outros músicos originados na época retratados no filme, como o Dinho Ouro Preto (Ibsen Perucci) e o que mais achei curioso, não necessariamente de maneira positiva, o Herbert Vianna (Edu Morais), que mais parece uma paródia de programa humorístico de tão caricato. Em suas aparições o personagem está sempre deitado ou sentado, provavelmente para aproximá-lo de sua imagem de hoje de forma bem humorada, caprichando no seu jeito peculiar de falar, gírias e gestual, deixando a gente acreditando que nem o próprio levou na esportiva a imitação, ops, a interpretação. Philippe Seabra, vocalista e guitarrista do Plebe Rude, faz uma participação especial como o prefeito de Patos de Minas cidade onde acontece o primeiro show do Legião. Agnaldo Timotéo, outro músico da época, mas sem ligação com o movimento, também foi lembrado, de forma depreciativa apesar de debochada.



Aborto Elétrico

Aborto Elétrico foi a primeira banda de Renato. Numa época em que ele ainda era Renato Manfredini Jr, o jovem cheio de planos e pretensões artísticas conseguiu reunir um time musical formado por Flávio Lemos (Daniel Passi) e pelo problemático e sensível sul africano Petrus (Sérgio Dalcin), bem parecido com o roqueiro inglês Billy Idol, o primeiro dos três a ter um fim pelo uso demasiado de drogas, tendo seu distanciamento reduzido no filme por sua partida à sua terra para prestar serviço militar obrigatório. Mais tarde, substituído por Fê Lemos (Bruno Torres) o Power trio passa a tocar pelos festivais de rock da cidade influenciando outros jovens a formarem grupos mesmo sem saberem tocar, pois afinal de contas ´´para se ter uma banda punk não é preciso saber tocar``. O jovem Renato que carregava música e poesia no sangue, influenciado pelas próprias frases de efeito que proferia as transformando, mais tarde, em versos de composições de sucesso, se desentendendo várias vezes com seus companheiros de banda, numa delas totalmente arrasado pela morte de John Lennon, resolve se afastar e seguir carreira solo, fazendo shows somente acompanhado de seu violão se apresentando como O trovador Solitário, cantando futuras canções de sucesso como Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo, sendo recebido com escárnio até retomar suas atividades grupais. Aborto Elétrico se diluiu nos grupos Plebe Rude e Capital Inicial e Renato conheceu os parceiros que o acompanhariam pelo resto da vida, Marcelo Bonfá (Conrado Godoy), e Dado, interpretado pelo próprio filho do músico, Nicolau Villa-Lobos, que tiveram participação curta aparecendo lá no finalzinho da projeção, mas como parte do elenco não era composta por atores e sim por músicos, inclusive o próprio Thiago cantou sem auxílio de cantores profissionais, não faria mal substituir atuações rasas por canjas musicais, a verdadeira essência da obra. Ter a sensação de testemunhar o processo de criação de cada música e a opinião dos envolvidos, aliás, algumas delas, já que a carreira do grupo é razoavelmente grande, é uma experiência agradável até para quem não é fan.

Em suma, é um filme para toda família e seu didatismo histórico apenas atesta isso. A direção de arte é impecável, reproduz bem a ambientação dos anos 80 com capricho. Fiquemos com essa generosa imagem do ídolo nacional, que nada tem de enganadora, talvez protetoramente omissiva. Mas pudemos ter contato com o que de fato importava. E já que o Renato está com essa corda toda, podemos acreditar de bom grado que Faroeste Caboclo será, senão um filme que agrade gregos e troianos, pelo menos uma nova obra prima do cinema nacional. 


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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Madenka, o One Piece brasileiro


Infelizmente a Ação Magazine  não vai para frente. Problema de distribuição terrível, atrasos, o site fora do ar e quando se pensava que a publicação enfim foi para o saco eis que leio por aí que vai ter um terceiro número (veja só, a primeira edição é de 2011). Resta saber onde, quando e se. O que é uma pena, pois o almanaque contava com publicações legais, como Madenka, para mim a melhor seriezinha da Ação por mais que  tivessemos pouquíssimo contato com ela.  Produzida pelo mangaká piauíense Will Walbr, a série conta a história de Madenka, um menino com dons especiais que vive no norte ou nordeste do nosso país, não sei ao certo, uma mistura de mundo real com os mitos originários dessa terra, como Saci Pererê, entre outras coisas, que trabalha como feirante para Batála, um porco do mato que nas horas vagas também é seu mestre e enxerga nele o potencial que o garoto não quer enxergar, recusando as propostas de largar sua Terra e seus amigos para acompanhá-lo numa jornada. No primeiro capítulo ele enfrenta uma criatura que roubou os olhos de uma loba sexy com o naipe da Lara Croft, sobrinha de Batála, incentivado por seu mestre, já que desde o princípio não queria ser mais do que ele mesmo. Além disso o garoto joga num time de futebol da região apesar de não ter muito talento com a bola. 
Mas pelo andar da carruagem vai ser difícil acompanhar as aventuras desse herói do Mangá nacional. De linguajar característico da região, traços de personalidade própria que muitas vezes carrega influências não só de mangá mas que é até melhor assim, dando mais liberdade visual de expressão, o enredo original  e publicado num almanaque que fazia questão de seguir o padrão nacional de leitura sem essa frescura de virar pelo avesso, Madenka tinha de tudo para se tornar a melhor versão de uma série shonem 100 % brasileira. 


terça-feira, 2 de julho de 2013

O culpado pela pistola na mão do Mega Man



Quando você começava a gostar do robozinho azul já se deparava com essa capa e se perguntava quem foi o imbecil que fez esse desenho, e só agora o autor sem noção foi revelado. Mas calma. Quem fez a arte doa capa do segundo jogo do Mega Man para o nintendinho foi o ilustrador Mark Ericksen, que já havia feito capas de outros clássicos jogos, e hoje se justifica dizendo que não foi o verdadeiro culpado por essa caracterização equivocada do robô azul, como você pode ver no site Nintendo Blast. E então, ele é absolvido por esse descuido ou não? Tire suas próprias conclusões. Não que isso vá lá fazer muita diferença.

True Story


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